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Arquivos para a Categoria ‘Moçambique’

“chorais pelos dias de hoje? pois saibam que os dias que virão serão ainda piores. foi por isso que fizeram esta guerra, para envenenar o ventre do tempo, para que o presente parisse monstros no lugar da esperança. não mais procureis vossos familiares que saíram para outras terras em busca de paz. mesmo que os [...]

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“o que queria mesmo era ir mar adentro, como Assma, empurrado num barquinho sem destino. ou fazer como minha mãe me ensinou: ser a mais delicada sombra. é isso que desejo: me apagar, perder voz, desexistir. ainda bem que escrevi, passo a passo, esta minha viagem. assim escritas estas lembranças ficam presas no papel, bem [...]

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“- o que andas a fazer com um caderno, escreves o quê? – nem sei, pai. escrevo conforme vou sonhando. – e alguém vai ler isso? – talvez. – é bom assim: ensinar alguém a sonhar. – mas pai, o que passa com esta nossa terra? – você não sabe, filho. mas enquanto os homens [...]

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“eu queria simplesmente adoecer, ansiava uma doença que me apagasse toda a paisagem por dentro. queria receber essa doçura que a doença sempre tem”. Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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“o velho sorri e se enrosca em si, como se procurasse um ventre”. Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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“a vida finge, a velha faz conta. no final, as duas se escapam, fugidias, ela e a vida”. Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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“- mas por que razão me soltas, então? – para que vás para tão longe que pareças impossível”. Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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“afinal, em meio da vida sempre se faz a inexistente conta: temos mais ontens ou mais amanhãs? o que eu desejava era que o tempo se adiasse, parado como o barco naufragado”. Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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“problema é deixar este escuro entrar na cabeça da gente. não podemos dançar nem rir. então vamos para dentro desses cadernos. lá podemos cantar, divertir”. Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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“mulheres é bom quando não há amor, disse. porque o amor é esquivadiço. a gente lhe monta casa, ele nasce no quintal. vale a pena uma puta, miúdo. gastamos o bolso, não o peito. numa puta não pomos nunca o coração.” Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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