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Archive for Janeiro, 2009

hoje. meu último domingo no meu quarto. tão meu. tão seu. uma cama com moldura, com pingos de outono e fotos de uma certa terra africana. paredes cheias de Brasil, da minha história, dos meu laços de fita vermelha. outra cama de conversas, privacidade, sonhos velados pelo travesseiro, um verão dentro de um cubo branco de neve. armários de embalagens, panos coloridos pra vestir o dia-a-dia. um certo espaço ali dentro deste mesmo armário com muitas páginas já escritas, dentre elas Clarice. do centro fiz colchão de estudos, com livros que preciso mentalizar para dividir com os angolanos. perdidos entre estas coisas meus lábios coloridos, meu cheiro dentro de um frasco, os papéis a espera de formas, a toalha pendurada para o próximo banho de pele e água. tantos detalhes. tem ainda uma porta. ela já esteve mais aberta… depois destes nove meses ela se fechou por certo tempo pra abrir a poesia da dona do quarto. funcionou. veja bem: cá estou escrevendo, como se houvesse rima pra cada inspiração de ar. e digo: de fato há! mas o meu quarto… lugar que escondi deles tantas vezes. lugar que o esperei outras infinitas vezes. lugar que calei minha voz com as músicas de fazer surdez. lugar que pintei e colei. e pensar que este mesmo quarto já foi de tantas outras pessoas e ainda será de várias outras. e ainda assim foi meu.

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clima de despedida

o carro desceu a montanha em uma velocidade maior que a frequente pra não dar chance de ver reflexos de retrovisor. aqui nesse lugar. nesse espaço de passagem, onde tudo se transforma em lembranças. assim é, como deveria ser. hoje o time de novembro saiu para fazer o segundo fundraising deles. algumas pessoas do meu time não o verão mais, pois já estão com passagem marcada para a África. aqui segue-se um clima de despedida diário. tento guardar com a minha ingrata memória os desenhos do meu quarto, o cheiro do corredor, o ranger dos passos no brook, a música debaixo do vapor do banheiro, os olhos molhados por culpa da cebola insensível, o sol nascendo debaixo dos olhos ainda abertos, e as pessoas, as pessoas, as pessoas.

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