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Archive for Junho, 2009

quatro meses de Angola e eu sinto saber mais daqui do que de onde eu vim. é a posição do corpo. os braços que a tudo abraçaram. até aquilo que não se podia, que não se devia. para os outros. porque pra mim tudo sempre pode. eu tenho esse lugar cá dentro de mim. sem qualquer coisa que explique. tem coisas assim. que a gente precisa apenas saber que existem.

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sorriso de uma gota

agua0

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roubo de conforto

no projeto onde eu moro os alunos são internos e atualmente eles somam 43. eles tomam café-da-manhã, almoçam e jantam na escola. o problema é que nos últimos dois meses foi necessário repor duas vezes os pratos, talheres e canecas, porque eles estavam sendo roubados. um dia conversei sobre isso com uma amiga e ela se espantou ao saber que eles pegavam objetos tão simples. um roubo camuflando um pedido de conforto.

em função dessa situação nós adotamos uma nova estratégia: compramos um kit individual pra cada aluno composto por um prato, um garfo e uma caneca. cada estudante ganhou um kit com um número que o identifica. fizemos a entrega e eles assinaram o recebimento em uma folha. agora eles são responsáveis pelos próprios pratos, garfos e canecas. já faz quase uma semana que começamos e tem dado muito certo.

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nesse lugar há muito pra se ver. tanto que eu tenho desejo de guardar muito da minha memória em papéis. mas sempre que coloco a máquina fotográfica nas mãos eu me sinto invasora. como se eu considerasse estranha a rotina das pessoas daqui e dissesse que eu não pertenço àquela realidade. já se passam quatro meses. quantas mulheres eu já vi levando e trazendo as gotas d’água. elas me impressionam todos os dias. não se tornam comuns. há sempre detalhes que eu insistentemente ainda fico a observar. quantas imagens cheias de molduras eu já não imaginei? milhares! mas a máquina na minha mão me incomoda, me distancia delas. eu preciso criar a tal ponte. com urgência!

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contorno da África

contorno da África

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terça-feira sentei na mesa de um restaurante para almoçar com dois colegas. um deles disse que a atual namorada do irmão não era adequada, porque ambos tinham 27 anos. quando eles chegassem a uma idade avançada o irmão ainda estaria conservado enquanto ela já teria no corpo as marcas da velhice. o irmão começaria, por culpa da idade da mulher, a olhar para outras meninas com curvas maiores que a dela. ele afirmou isso com toda a pontuação necessária para colocar certeza na frase. há meses que eu venho pensando muito sobre estética. eu não uso cremes pra prolongar a rigidez da pele. eu não pratico exercícios em função do amanhã. quando meu corpo já não suportar, a idade vai aparecer. eu não vou fazer nada para escondê-la. faz parte do ciclo. e que linda pode ser uma ruga após tantos sorrisos dos olhos.

e sabe… eu nunca gostei tanto de me ver refletida em um pedaço de espelho como eu gosto hoje. sem lábios coloridos, sem cabelos hidratados, sem jóias penduradas. toda vez que tomo banho eu paro pra me observar. pra enxergar toda a minha natureza despida do mundo. narscisismo. eu sei. mas foi aqui que eu pude amar o tom da minha curva, sem precisar de um pano ou qualquer artíficio para exaltá-la. eu me apaixono por mim quando vejo os fios despenteados, quando molho as pontas do cabelo na água dentro do balde. brinco de inventar eu mesma com a liberdade dos fios. eu nunca tinha me amado tão delicadamente, e principalmente tão naturalmente.

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uma delícia de banana

os presentes que eu recebia antigamente possuiam embalagem. eles vinham amarrados a uma tal de etiqueta, coisa que nunca vi aqui desde que cheguei. hoje uma aluna minha trouxe bananas, laranjas e chocolate pra mim. tudo embrulhado com um abraço. aqui tudo parece ter mais sabor. uma banana se trasforma na melhor das bananas. eu mastigo cada pedaço bem devagar, pra absorver ali todo o gosto que é possível existir naquele amarelo-cor-de-banana. e faço isso deliciosamente.

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