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Archive for Outubro, 2009

pro sertão eu trouxe um livro que me salva diariamente, e em dias como hoje, várias vezes em um dia:
Correspondências, de Clarice Lispector.
são cartas que ela escreveu na década de 40, ao menos inicialmente. fico imaginando a delícia de uma caixa de correio a frente de uma casa de antigamente. entre um papel e outro vários dias, completando meses, assustando-se com os anos. e no meio de tudo isso a espera das cartas de amanhã…

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o povo daqui sabe viver. o povo daqui sabe amar. estamos preparando uma ação num povoado chamado Lagoa Andada. nós vamos construir bancos debaixo das sombras do sertão. ontem uma mulher ficou dizendo coisas dentro daqueles balões feitos de nuvens. sonhava com o dia em que poderia sentar no banco. e não era qualquer banco. ela queria um grande com espaço para muita conversa. é lindo! o banco acabou se transformando em personagem. as pessoas perguntavam por ele, esperavam por ele… a própria comunidade doou alvenaria, cimento, brita e mão-de-obra. sabe… as pessoas querem muitas coisas, mas precisam que alguém lhes dêem as mãos.

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mais uma despedida

estou em dúvida entre eu e eles. não me permito querer e fico tentando ser o que eles precisam. já não é hora. já passa de meia-noite. tenho vergonha de não querer estar aqui e de não querer pintar o sertão. sinto-me culpada, como se eu estivesse dando as costas para tantas pessoas que precisam de mim. eu achei que não fosse possível me encaixar duas vezes na mesma cama. acho que vou embora… falta definir o quê exatamente eu estarei deixando pra trás. porque ir embora eu já fui várias vezes, de vários lugares. nos meus poucos momentos de privacidade eu me escondo nas noites que virão… será que eu poderia ser eu mesma sem me sentir culpada?

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esse lugar desperta desejos simples em mim. queria comprar uma placa e dar um nome pra minha rua, só pra mandar cartas que estimulassem outras. a minha expressão não é auto-suficiente. mandar cartas sem remetente me deixaria aflita com tantas possibilidades de respostas. preciso de um endereço certo e fixo. e o sertão, minha gente, não é só marrom como muitos pensam, é muita árvore, muito mato, muita mão grossa, muita ruga e muita música. eu fico irritada quando vejo os meninos de estilingue na mão. eles ficam procurando asas para matar. eu tento o tanto que posso manter os vôos, mas me acalma lembrar da inocência de uma criança. aí tudo se explica…

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Dalila, 23 anos. um dia ela acordou e era outra pessoa. tinha pesadelos a noite e via sangue na comida. a tiraram da escola e deram remédios. desde então ela desenha a vida que a mente colore em pedaços de folhas de caderno. no meu primeiro dia por aqui ela me disse: “eu acho que eu tenho um desvio mental.”

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primeiros olhares

Quijingue é uma das cidades com o menor IDH da Bahia, sendo que é no nordeste que está concentrado o maior índice de pobreza do Brasil. Quijingue tem 28mil habitantes, sendo que 20mil deles estão distribuídos pela zona rural. aqui está localizado o sertão de chapéu na cabeça e enxada na mão. eu cheguei no município na segunda, dia 23/10, e terça eu segui para um povoado chamado Queimadas, onde vivem cerca de 100 famílias. não há problemas com energia e a água encanada chegou em 1995. estou morando na casa de Irenilda, que trabalha para a ong Humana People to People, da qual eu faço parte. A Humana atua na região há 1 ano e 6 meses e luta para dar condições melhores as comunidades.

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Roseli, 36 anos, professora há 14 anos em Quijingue (Bahia).
“o mais bonito de ser professora é quando você vê o aluno transformando bolinhas em letras”

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