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Archive for Novembro, 2009

é Natal

hoje foi o meu primeiro dia de trabalho em um asilo. lá moram quase 100 idosos. alguns mais independentes, outros com necessidade de mãos para guiá-los. decidimos começar a colorir o lugar com as cores de Natal. decoramos a porta do refeitório e colamos um anjinho em cada quarto. por último, a árvore. vários olhinhos acompanharam cada enfeite que colocamos. eles davam palpites: “mais em baixo, coloca mais bolas vermelhas a direita, aquele canto está vazio…” abraçamos os galhos com as luzes cheias de cores e embrulhamos alguns troncos com laços douradas. quando acabamos uma senhora chamada Isabel abriu um sorriso tão lindo que eu enchi cada centímetro meu da pele dela. saí de lá como quem tem certeza dos passos. como quem sabe exatamente o quê se deve buscar.

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hoje fui procurar trabalho em um asilo que fica próximo a minha casa. já na esquina uma senhora passou por mim de batom vermelho e olhos grudados no céu. na varanda quatro senhoras estavam sentadas assistindo atrás das grades a vida lá fora. uma delas cantava desafinadamente a vida em vários tons. duas conversavam. uma delas olhava pra mim e quando eu retribuí os olhos ela sorriu. embrulhei um sorriso colorido em papel de seda e entreguei a ela. ela gostou, porque sorriu de volta outra vez. eu repeti então o meu presente. assim a gente brincou de balanço, com sorrisos indo e vindo. quando entrei no asilo a primeira coisa que eu senti foi o cheiro. é incrível a capacidade de cada grupo de deixar rastros no ar. lá dentro eu quis passar correndo sem olhar ninguém. entreguei meu currículo, conversei um pouco e fui embora sem conseguir olhar nada por mais de dois segundos. quando pisei na rua molhei a pele ao imaginar que alguém possa viver anos e depois ver a vida passar…

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a pulseira que você me deu arrebentou na semana passada. eu a usava porque ela me dava a certeza de que você existia. acontece que pulseiras arrebentam. você também arrebenta? após três meses de volta pra casa lembro de Angola como um tempo distante. preciso ver as fotos pra perceber detalhes que a memória vai abandonando. sinto que estou deixando pra trás, no passado, no meu baú. eu que achava que você seria pra sempre o meu agora. não é fácil determinar o ritmo dos nossos próprios passos. há muitas coisas me puxando, há muita correnteza me sugando pro lado de lá, lado oposto ao vento que me levava até você. eu sigo por medo dos dias que eu não consigo ver. sigo por querer sobreviver nos anos de independência necessária. sigo por várias razões que se eu pudesse rasgaria até tornar ilegível cada parágrafo.

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estando aqui não tive como evitar. comprei um celular. comecei a ter vontade de ser encontrada e me sentir procurada. quis também poder mandar letras em horas inesperadas. um aparelho pra trocar sentimentos dentro desse mundo eletrônico. um celular pra eu simplesmente me localizar.

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o meu adeus não me preocupa. poderia fechar os olhos agora mesmo e acabar meus dias dentro de um sorriso. vendo aos anos depois dos 50 pouco vividos, só escuto frases mal acabadas de gente que não levou a sério as próprias vontades. por isso não seja leviano com os seus desejos. satisfaça você mesmo.

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sempre há beleza

neste lugar não tem rua. as casas vivem de mãos dadas. por aqui não há portas e quase tudo é convite para uma prosa. nas paredes há janelas, e onde há janela há gente… pra cada casa uma sala com toalhas bordadas. no canto algumas canecas sempre prontas pra receberem o suor de um café. bastou um dia pra eu descobrir que é aqui que o sol nasce primeiro. e ninguém se esconde dele. basta aparecer um detalhe mais claro no céu pra toda a gente sair por aí de enxada e força nas mãos. neste lugar sobra amor… eu nem consegui guardar tudo o que eu recebi.

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