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Archive for Dezembro, 2009

descobri que não consigo ser tudo aquilo que fui. descobri que ao lado do meu passado eu não consigo ser tão presente. descobri que é muito complicado querer ser simples entre tantos cifrões. falta companhia, falta entendimento e sobra medo. eu descubro coisas diariamente… e diariamente eu concluo o quanto nós fomos felizes há pouco tempo atrás… ainda somos. é verdade. mas aquilo que vivemos vai além de qualquer sensação.

escrevi o texto acima para uma amiga e assim ela me ensinou:

“mas o que seria a simplicidade?” uma amiga alemã me perguntou isso. acho que é tão simples que eu não sei explicar… talvez seja um estado de espírito, etéreo, por isso intocável. talvez seja uma espécie de ética para consigo e para com o outro e outros. talvez não precise de explicação… acredito que já superei o incômodo com os cifrões à minha volta (até pq seria muito complicado viver em NY com este incômodo). o que não acaba é a minha indignação com as injustiças, sejam elas socias, internacionais, econômicas, ecológicas, de gênero, raciais e por aí vai… talvez exista uma dor no mundo com a qual eu não saiba mais lidar. acho que perdi as minhas forças (ou a esperança?). é um ato de coragem assumir nossos medos, pois geralmente são apenas compreendidos por quem sente e aparentam ser uma pequenez do ser. acho que o medo, algumas vezes, pode ser uma aviso da alma e é bom escutá-lo para cuidar mais de si. agora, uma coisa é certa: bom mesmo é superá-lo. foi você que me disse uma vez: “olha, cara, esse negócio de felicidade é muito complexo.” e deveria ser simples, não? mas não é… o passado sempre (ou quase) nos parece ser mais feliz. a lembrança agradável gruda na gente, mas nos esquecemos que no momento em que o passado era presente, também havia qualquer coisa de dor dentro do peito, mas não lembramos (que bom!). esse passado recente que tivemos foi realmente maravilhoso e eu o vejo por fases. tive a fase de olhar para mim e para os outros, mas olhar para o meu ego, minhas características físicas e psicológicas e toda essa coisa que nos faz ser o que pensamos que somos (os hindus diriam maya, ou a ilusão), depois tive a fase de olhar para o mundo, para as feridas dele, de chorar por ele, de brigar por ele, de acreditar que ele poderia ser diferente (embora isso não ausentasse a minha constante busca pelo entendimento de mim mesma) e, por fim, tive a fase de olhar para dentro de mim, mas não para o meu ego, ou para o que eu penso que sou, olhar para o que caetano chamaria “essa coisa que é sua, mas que não é ego, que vem do self grande”. a fase de sentir-me deus, mas não por me sentir poderosa, mas por sentir a calma da perfeição que é o que está dentro de nós mas que é tão difícil de entrar em conexão, tão difícil nos aceitar deuses, perfeitos, sem capas de ego, de corpo, de personalidade. sem a ilusão. apenas um silêncio alegre que vibra perfeição no centro da nossa alma. agora, não sei em que fase estou… os meus dias têm sido confusos. me sinto cada vez mais superficial, rasa. não sei o que está acontecendo, ou talvez saiba e não queira assumir… tenho medo de estar fazendo um movimento reverso depois do tanto que vi, vivi, senti, aprendi. essa minha mania de amar demais ainda vai acabar me matando (ou eu tenho que matar ela antes). vivo como um cachorro atrás do rabo: dando voltas em torno de mim mesma. pior de tudo é descobrir a minha imensa capacidade de me perder de mim. to voltando pra salvador. preciso do calor de minha gente, dos sorrisos, afagos e puxões de orelha. estou sedenta de carinho. sinto falta de compartilhar, de pensar, de refletir, de me expressar… me sinto sozinha aqui… vida à dois é muito difícil…
PS: só você é capaz de compreender esta escrita caótica e desordenada e, por isso, humana…
PS2: amo assim

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