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Archive for Agosto, 2010

encontros virtuais

essa virtualidade me encanta quando me vejo esbarrando nas esquinas que nunca fui… hoje publicaram uma matéria no site da Global Voices sobre Alambamento, o casamento tradicional de Angola. para complementar o conteúdo a jornalista utilizou fotos e textos meus, gravados tanto neste blog quanto na minha memória… a propósito, o meu post sobre o Alambamento foi o que mais gerou repercussão.

Confiram a matéria: http://pt.globalvoicesonline.org/2010/08/29/angola-o-alambamento-e-os-rituais-do-casamento/

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“não acredita como me cansava aquela sala, como me fatigavam os visitantes que não paravam de chegar, fingindo tristezas. onde estavam quando eu ainda era todo vivo e careci de amparo? por que se juntaram agora, em mostruário de choros e rezas? não lhe parecia muito meio para pouco fim? eu lhe respondo: o medo. é por isso que vieram. tinham medo não da morte, mas do morto que eu agora sou. (…) esses que me velavam sofriam de um engano: aquele, em cima do lençol, se parecia comigo. mas não era eu. o morto era outro, em outro fim de vida. eu apenas estou usando a morte para viver”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

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“o caçador lança fogo no capim por onde vai caminhando. eu faço o mesmo com o passado. o tempo para trás eu o vou matando. não quero isso atrás de mim, sei de criaturas que se alojam lá, nos tempos já revirados”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

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leito da vida

“há um rio que nasce dentro de nós, corre por dentro da casa e desagua não no mar, mas na terra. esse rio uns chamam de vida”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

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“não há quente como o da boca. não há incêndio que chegue à febre dos corpos se amando”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

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liberdade da asa

“pega na gaiola e lança-a no ar. a gaiola de desfigura, ante o meu espanto, e se vai convertendo em pássaro. já toda ave, ela reganha os céus e se extingue”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

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casa viva

“- não esqueças de regar a casa quando sair.
a casa tinha reconquistado raízes. fazia sentido, agora, aliviá-las das securas”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

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