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Archive for the ‘a volta pra casa’ Category

faz cinco anos que eu não preencho essas páginas… também faz cinco anos que o tempo se tornou mais linear dentro de mim… acreditem: eu era uma incontrolável montanha russa. porém, a linearidade alcançada não se traduz em uma linha uniforme de planejamento dos dias de amanhã, mas em um foco e ideologia mais claros, e em uma compreensão melhor dos contornos e das fronteiras que atravessam os interesses políticos apresentados nas arenas populares. Angola me inspirou a concluir minha graduação em Serviço Social, e hoje tenho convicção de que não haveria outra profissão para dar vasão aos meus anseios. ao longo dos anos, aproximei do público envolvido com a criminalidade, somando hoje cerca de quatro anos de experiência na área. ao optar por este caminho, eu me propus conhecer profundamente os indivíduos e suas amarras sociais, para quem sabe oportunizar reflexões sobre outras saídas possíveis. ilusão de iniciante foi imaginar que os esforços deveriam se concentrar nos indivíduos, já que a eles era ofertado o poder da escolha. bem, nem lá, nem cá. nem só o indivíduo, nem só a estrutura. a questão é que a estrutura não quer estes indivíduos com os quais hoje eu trabalho – adolescentes autores de ato infracional -, e por isso, sinto que pouco do que faço é de fato efetivo. além disso, a estrutura faz-se preponderante na medida em que a justiça mostra-se seletiva, e aplica as medidas socioeducativas para adolescentes com classe, cor e endereço pré-definidos. confesso, que o início da minha jornada foi mais motivador, todavia lidar com a realidade é sempre a melhor das alternativas. contudo, ver o real escancarado e quase ninguém discordando, quase ninguém reclamando, quase ninguém manifestando é remar contra a maré, apesar de que eu sempre soube que em minha profissão eu iria encontrar pensamentos divergentes. eu só não imaginava a carga emocional e física acarretada ao assumir tal função, ao que mesmo apesar dos pesares, chego a mesma conclusão do início: é preciso força para continuar remando.

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e se perguntas fossem feitas para serem respondidas talvez eu respirasse mais. mas das coisas que quero saber ninguém ouviu falar, ninguém quer experimentar. estou naqueles dias em que quase se vai a beira do precípicio para ter a certeza de que se pode voar. estou prestes a quebrar as minhas paredes e me tornar parte do oceano que me contem. o desespero acontece na linha divisória, que nada divide. é como se eu morasse na fronteira e ocupasse dois instantes ao mesmo tempo. já percebi que não se trata de um lugar ou outro, não é o que eu vejo que altera a ordem das coisas, não tem nada a ver com aquilo que está, que se é. o grande ponto sou eu, a complexidade sobrevive enquanto o meu sangue corre sem saber pra qual direção. e de cá, de lá, acolá, todos tentam me dar uma linha e eu não consigo dar um nó em nenhuma delas. é tudo tão insuficiente, tudo tão controlado. depois que vivi meus dias sem relógio e sem datas de um calendário eu comecei a sentir a liberdade do meu próprio desejo. porque até o desejo eles insistem em compactar, em colocar em caixas cada vez mais padronizadas. mas não dá. os meus desejos não se encaixam em nenhum destes pacotes. das coisas que quero a maior delas é viver. hoje eu sei que por aqui eles não vivem, pelo menos não vivem a própria identidade. não se conhecem, não se percebem, e contraditoriamente usam cada vez mais espelhos. a mim parece um grão de areia a obrigação de seguir uma carreira, de morar em uma casa, de pagar as tantas contas, de usar sapatos, de decorar a sala, de reformar a cozinha, de escolher lençóis, de deitar na cama pra acordar no dia seguinte. a mim parece que isso não seja vida, que isso seja um pacote fechado demais ao ponto de sufocar qualquer ser cheio de poros. me interessa muito mais seguir por aí, sem um objetivo que trace limites, seguir simplesmente, como quem decide o próximo passo depois do último, como quem decide de acordo com o tempo que se faz lá fora, com a direção que os girassóis conduzirem. dá vontade de viver disso. sem nenhum nome, sem ser jornalista, sem ser assistente social, sem ser engenheira, sem ser nada que não simplesmente humana. já não há espaço pra mim em uma profissão. eu não acordo todos os dias querendo as mesmas coisas. há dias que nem quero nada. e eu aprendi a me obedecer, a me respeitar. eu não quero sobreviver de um salário no fim do mês, eu nem quero sobreviver. viver, sim. claro. não daria pro mundo me acompanhar. seria outro mundo. vai sempre me parecer pouco qualquer coisa que eu possa fazer nos limites de um emprego. eu preciso da liberdade do corpo, mente e espírito. sem hora marcada, sem data agendada. é hora de dar voz para a pele, é hora de tomar posse de si mesmo. é hora de viver… você me daria a mão?

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desde que voltei não houve um dia se quer que não tenha feito sol em Angola…

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descobri que não consigo ser tudo aquilo que fui. descobri que ao lado do meu passado eu não consigo ser tão presente. descobri que é muito complicado querer ser simples entre tantos cifrões. falta companhia, falta entendimento e sobra medo. eu descubro coisas diariamente… e diariamente eu concluo o quanto nós fomos felizes há pouco tempo atrás… ainda somos. é verdade. mas aquilo que vivemos vai além de qualquer sensação.

escrevi o texto acima para uma amiga e assim ela me ensinou:

“mas o que seria a simplicidade?” uma amiga alemã me perguntou isso. acho que é tão simples que eu não sei explicar… talvez seja um estado de espírito, etéreo, por isso intocável. talvez seja uma espécie de ética para consigo e para com o outro e outros. talvez não precise de explicação… acredito que já superei o incômodo com os cifrões à minha volta (até pq seria muito complicado viver em NY com este incômodo). o que não acaba é a minha indignação com as injustiças, sejam elas socias, internacionais, econômicas, ecológicas, de gênero, raciais e por aí vai… talvez exista uma dor no mundo com a qual eu não saiba mais lidar. acho que perdi as minhas forças (ou a esperança?). é um ato de coragem assumir nossos medos, pois geralmente são apenas compreendidos por quem sente e aparentam ser uma pequenez do ser. acho que o medo, algumas vezes, pode ser uma aviso da alma e é bom escutá-lo para cuidar mais de si. agora, uma coisa é certa: bom mesmo é superá-lo. foi você que me disse uma vez: “olha, cara, esse negócio de felicidade é muito complexo.” e deveria ser simples, não? mas não é… o passado sempre (ou quase) nos parece ser mais feliz. a lembrança agradável gruda na gente, mas nos esquecemos que no momento em que o passado era presente, também havia qualquer coisa de dor dentro do peito, mas não lembramos (que bom!). esse passado recente que tivemos foi realmente maravilhoso e eu o vejo por fases. tive a fase de olhar para mim e para os outros, mas olhar para o meu ego, minhas características físicas e psicológicas e toda essa coisa que nos faz ser o que pensamos que somos (os hindus diriam maya, ou a ilusão), depois tive a fase de olhar para o mundo, para as feridas dele, de chorar por ele, de brigar por ele, de acreditar que ele poderia ser diferente (embora isso não ausentasse a minha constante busca pelo entendimento de mim mesma) e, por fim, tive a fase de olhar para dentro de mim, mas não para o meu ego, ou para o que eu penso que sou, olhar para o que caetano chamaria “essa coisa que é sua, mas que não é ego, que vem do self grande”. a fase de sentir-me deus, mas não por me sentir poderosa, mas por sentir a calma da perfeição que é o que está dentro de nós mas que é tão difícil de entrar em conexão, tão difícil nos aceitar deuses, perfeitos, sem capas de ego, de corpo, de personalidade. sem a ilusão. apenas um silêncio alegre que vibra perfeição no centro da nossa alma. agora, não sei em que fase estou… os meus dias têm sido confusos. me sinto cada vez mais superficial, rasa. não sei o que está acontecendo, ou talvez saiba e não queira assumir… tenho medo de estar fazendo um movimento reverso depois do tanto que vi, vivi, senti, aprendi. essa minha mania de amar demais ainda vai acabar me matando (ou eu tenho que matar ela antes). vivo como um cachorro atrás do rabo: dando voltas em torno de mim mesma. pior de tudo é descobrir a minha imensa capacidade de me perder de mim. to voltando pra salvador. preciso do calor de minha gente, dos sorrisos, afagos e puxões de orelha. estou sedenta de carinho. sinto falta de compartilhar, de pensar, de refletir, de me expressar… me sinto sozinha aqui… vida à dois é muito difícil…
PS: só você é capaz de compreender esta escrita caótica e desordenada e, por isso, humana…
PS2: amo assim

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a pulseira que você me deu arrebentou na semana passada. eu a usava porque ela me dava a certeza de que você existia. acontece que pulseiras arrebentam. você também arrebenta? após três meses de volta pra casa lembro de Angola como um tempo distante. preciso ver as fotos pra perceber detalhes que a memória vai abandonando. sinto que estou deixando pra trás, no passado, no meu baú. eu que achava que você seria pra sempre o meu agora. não é fácil determinar o ritmo dos nossos próprios passos. há muitas coisas me puxando, há muita correnteza me sugando pro lado de lá, lado oposto ao vento que me levava até você. eu sigo por medo dos dias que eu não consigo ver. sigo por querer sobreviver nos anos de independência necessária. sigo por várias razões que se eu pudesse rasgaria até tornar ilegível cada parágrafo.

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estando aqui não tive como evitar. comprei um celular. comecei a ter vontade de ser encontrada e me sentir procurada. quis também poder mandar letras em horas inesperadas. um aparelho pra trocar sentimentos dentro desse mundo eletrônico. um celular pra eu simplesmente me localizar.

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o meu adeus não me preocupa. poderia fechar os olhos agora mesmo e acabar meus dias dentro de um sorriso. vendo aos anos depois dos 50 pouco vividos, só escuto frases mal acabadas de gente que não levou a sério as próprias vontades. por isso não seja leviano com os seus desejos. satisfaça você mesmo.

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