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Archive for the ‘serviço social’ Category

quando eu digo que é por vocês, é por mim também…

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professor,

não foi a primeira vez que isso aconteceu e eu sei, não foi a última. você também sabe muito bem. depois que a sala de aula se esvazia, o quê é que podemos fazer depois? você confirma cada teoria minha e traz outras tantas disfraçadas de nova. eu já chorei ouvindo suas constatações, o que eu nunca fiz foi acreditar que lá fora poderia ser diferente. eu e você sabemos que o preto e o branco não se tranformam em cinza. e para quê serve todo o saber? continuo presa em cima do muro. sou uma só, indivisível, não posso estar do dois lados. e então eu fico lá, em cima do muro, sentada na cadeira da sala de aula, folheando páginas de livros e olhando os outros pela janela do meu quarto. nem frio me deixam sentir, sou cheia de cobertores. e quando eles esquentam demais lá está o ar condicionado pronto para refrescar.

a fuga não acabou. é muita ilusão concluir que se o meu corpo estiver aqui a minha alma também estará. e a alma? nunca mais vi a de ninguém. nem a sua. sábado você me explicou mais uma vez a minha frustração. você falou da prisão das almas, da necessidade de dar um título àquilo que não cabe em um nome. percebo a sua tentativa em estimular o uso do lápis-de-cor, eu mesma usei alguns. mas e depois professor? o quê é que se faz com o depois? até mesmo você vai embora, até mesmo você não aguenta as próprias palavras. você espera que eu aguente ou que algum de nós aguente? professor, de quê vale os meus dias de aluna se quase tudo que aprendo não tem aplicação? será que vale a vida de uma pessoa? de uma única pessoa? ainda que esta pessoa também nunca possa fugir, presa às mesmas grades nossas?

eu não consigo acreditar mais. vejo tantos profissionais, tantas escadas de uma carreira e nenhum trófeu. pouco me importa o nome do meu cargo, a posição da minha empresa e o salário que equivale a isso. um matemático. o quê se pode esperar dele? a solução de uma equação cheia de números? e aí me dizem que é necessário o trabalho dele, assim como o de um físico, de um químico e de tantos outros. acontece que não enxergo o sangue na veia destas pessoas. não entendo como uma fórmula pode ser mais importante que as famílias do nosso sertão que sobrevivem, nem vivem, de água com açúcar. de quê vale um país rico se logo ao lado outro se diz pobre? que fronteira é essa que separa as pessoas? por quê o mundo não é formado por um só país?

por favor, peço que me responda…

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serviço social

a vida começa a dar novos passos do lado de cá. nesta semana eu comecei a minha nova graduação de serviço social. a minha sala é composta somente por mulheres e a maioria tem origem humilde. é como se as pessoas carregassem o berço por onde fossem. o que eu vi na minha sala foi gente querendo mudar a realidade de onde veio, com as próprias mãos. é bonito ver escancarada essa vontade de justiça, de dois pesos iguais. é mais bonito ainda eu poder fazer algo que acredito tanto. a vida está nascendo outra vez. nos livros, nos olhos, nas raízes.

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