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abismo

“e eu rezo uma oração… hei de repeti-la até que minha língua se entorpeça… Catarina, possas tu não encontrar sossego enquanto eu tiver vida! dizer que te matei, persegue-me então! a vítima persegue seus matadores, creio eu. sei que fanstamas têm vagado pela terra. fica sempre comigo… encarna-te em qualquer forma… torna-me louco! só não quero que me deixes neste abismo, onde não te posso encontrar! oh Deus! é inexprimível! não posso viver sem a minha vida! não posso viver sem a minha alma!”

Emily Bronte, em O morro dos ventos uivantes

“agora estou cansada de aturar e sentir-me-ia feliz se achasse um meio de vingar-me, contato que não recaísse a culpa sobre mim. mas a traição e a violência são lanças de duas pontas. ferem os que a elas recorrem mais gravemente do que a seus inimigos”.

Emily Bronte, em O morro dos ventos uivantes

essa virtualidade me encanta quando me vejo esbarrando nas esquinas que nunca fui… hoje publicaram uma matéria no site da Global Voices sobre Alambamento, o casamento tradicional de Angola. para complementar o conteúdo a jornalista utilizou fotos e textos meus, gravados tanto neste blog quanto na minha memória… a propósito, o meu post sobre o Alambamento foi o que mais gerou repercussão.

Confiram a matéria: http://pt.globalvoicesonline.org/2010/08/29/angola-o-alambamento-e-os-rituais-do-casamento/

“não acredita como me cansava aquela sala, como me fatigavam os visitantes que não paravam de chegar, fingindo tristezas. onde estavam quando eu ainda era todo vivo e careci de amparo? por que se juntaram agora, em mostruário de choros e rezas? não lhe parecia muito meio para pouco fim? eu lhe respondo: o medo. é por isso que vieram. tinham medo não da morte, mas do morto que eu agora sou. (…) esses que me velavam sofriam de um engano: aquele, em cima do lençol, se parecia comigo. mas não era eu. o morto era outro, em outro fim de vida. eu apenas estou usando a morte para viver”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

“o caçador lança fogo no capim por onde vai caminhando. eu faço o mesmo com o passado. o tempo para trás eu o vou matando. não quero isso atrás de mim, sei de criaturas que se alojam lá, nos tempos já revirados”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

“há um rio que nasce dentro de nós, corre por dentro da casa e desagua não no mar, mas na terra. esse rio uns chamam de vida”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

“não há quente como o da boca. não há incêndio que chegue à febre dos corpos se amando”.

Mia Couto, em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra